SÃO PAULO - Em época de "vacas magras", uma alternativa para os investidores que querem aplicar na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) com um pouco mais de segurança são os Clubes de Investimentos. Alguns clubes apresentam rentabilidades acima do Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista. O Mundinvest Clube CLR, por exemplo, obtém valorização de 10,1% em 2009, seguido pelo Clube Jovens Empreendedores PR e Clube Dunas, com rentabilidade de 6,58% e 6,33%, respectivamente. O Ibovespa acumula neste ano alta de 3,06%.
O
gerente da TOV Corretora, Pedro Cardoso, também administra um Clube de perfil moderado da instituição onde trabalha. "Começamos pequenos com algo em torno de R$ 25 mil, atualmente já estamos girando mais de R$ 180 mil, sendo que em 2009 o lucro até o momento foi 100% maior que o IBOVESPA". O futuro cotista também precisa observar a valor da taxa anual de administração, "Caso o valor seja superior a 2%, é necessário avaliar se realmente vale a pena, no clube da TOV adotamos a taxa de 1%".
Mauro Calil, professor e educador financeiro do Calil & Calil - Centro de Estudos e Formação de Patrimônio -, explica os pontos positivos e negativos de um clube de investimento. "Acredito ser uma alternativa nesta época de crise. O clube se assemelha muito ao fundo de investimento, com algumas pequenas diferenças, como o limite de até 150 pessoas e podem ser pessoas próximas. É mito mais fácil encontrar 10 pessoas com R$ 5 mil para investir do encontrar uma só pessoa com R$ 50 mil para aplicar sozinha na Bolsa de Valores. Por outro lado, acho que, dependendo do investimento, a taxa de administração acaba saindo muito cara", afirma o educador.
Cardoso diz que é preciso avaliar cada situação, mas que "em média, um investimento tem que ter no mínimo R$ 50 mil". Hoje, a TOV opera cerca de 15 clubes de investimentos. "A criação de clubes vem crescendo muito nos últimos tempos, o que deu uma freada foi a crise financeira externa, que acabou afetando diretamente o Brasil", explica ele.
Já Gustavo Migliano, operador da WinTrade, home broaker da Alpes Corretora, acredita que o investimento mínimo, para se tornar rentável, deve ser ainda maior. "Acredito que, para iniciar um clube, é necessário um investimento de R$ 200 mil. Aqui, cobramos R$ 500 por mês em taxa de administração, independente de quanto é investido. Utilizamos este método para todo tipo de aplicação", diz ele.
Para se criar um clube, é necessário ter no mínimo 3 e no máximo 150 pessoas, das quais uma será representante. Será necessário elaborar um estatuto onde serão definidas todas as regras, como resgate mínimo, por exemplo. Este estatuto é fornecido pela Bovespa. Depois, é necessário escolher uma corretora de valores para operar os recursos e aguardar a aprovação do Banco Central (BC); após a confirmação do Bacen, será necessário um dia para ser gerado o primeiro relatório e por fim, o clube pode começar a investir em ações.
Migliano explica ainda as
vantagens em fazer parte de um clube di investimento. "O que facilita é em relação a impostos. No Importo de Renda, por exemplo, só é declarado o quanto
você colocou no fundo e não o quanto já rendeu o dinheiro. O imposto só é cobrado na hora do resgate", explica.
Vale ressaltar que o clube depende de um bom gerenciador para ter rentabilidade, e existem clubes que estão com desvalorização superior a 5% no ano. Apesar de ser registrado e fiscalizado pela Bovespa, em conjunto com a CVM, o clube pode ter suas aplicações também em renda fixa, porém este segmento não poderá ultrapassar o limite de 49% do total investido no clube.