Drogaria opta por caixa próprio para crescer
 
3/10/2008
 
SÃO PAULO - O mercado de drogarias está ficando cada vez mais concorrido e parece não se intimidar diante da crise, além de ser menos afetado pela falta de crédito no mercado, uma vez que grandes redes - como a Drogaria São Paulo, Panvel e Pague Menos - afirmam ter dinheiro em caixa para continuar um forte ritmo de expansão. A tendência é as redes mais tradicionais, que não dependem de financiamentos e fontes externas de renda, terem vantagens.

Diante do crescimento de outras redes, como a Pague Menos, a Drogaria São Paulo, que está com mais de 220 unidades em cinco estados (SP, RJ, BA, CE e MG), afirma que não mudará seus planos e que deve seguir com um ritmo mais acelerado de expansão. De acordo com Marcus Paiva, superintendente da rede paulista, até o ano passado a empresa crescia 10% por ano em número de lojas e este ano planejava crescer 30%, e só não deve cumprir a meta em função do atraso da permissão de abertura de algumas unidades, crescendo 25%. Em faturamento, a empresa também deve crescer cerca de 20% este ano, sobre 2007. A rede ainda está investindo cerca de R$ 30 milhões com a expansão. "Cada loja nossa custa em média R$ 600 mil e temos recursos próprios para abri-las", diz.

O superintendente ainda afirma que não descarta abrir capital no futuro se o mercado voltar a se mostrar interessante. Em relação a parcerias com fundos de investimento, afirma que a empresa é constantemente assediada, mas não tem essa intenção no momento. Com dois centros de distribuição (CD) em São Paulo, ainda pode construir mais um a partir do segundo semestre de 2009, no interior do estado.

A rede gaúcha Panvel Farmácias, que tem cerca de 250 unidades, todas próprias, e está entre as 6 maiores redes do Brasil, também afirma que tem recursos próprios para garantir um crescimento de 10% a 15% por ano e manter a abertura de unidades. Além disso, ela deve fechar esse ano com a abertura de 18 lojas, além de estar investindo no comércio eletrônico, que lançou este ano. Recentemente, ainda abriu uma megastore em Porto Alegre, na qual investiu R$ 1 milhão. Apesar de ter capital aberto desde 1988, diz que os preços de suas ações não se alteraram com a crise e possui pouca liquidez, além de se manter conservadora.

Segundo Júlio Mottin Neto, a rede não costuma utilizar financiamento. "A crise consolida mais a nossa posição, que é conservadora. Não há muito espaço no Brasil para empresários arrojados", disse. Um dos motivos para ele é ainda a alta informalidade no setor farmacêutico, além dos altos juros.

Apenas a rede cearense Pague Menos, que é a maior em faturamento e em número de lojas no Brasil desde 2006, segundo o ranking da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), está investindo R$ 30 milhões em um novo Centro de Distribuição em Fortaleza e R$ 20 milhões por ano na abertura de lojas e em reformas, além de já estar auditando seus balanços para abrir capital (IPO na sigla em inglês) em 2012, quando quer dobrar sua participação no mercado, chegando a 10%.

Segundo o presidente da rede, Deusmar Queirós, a previsão é que em 2012 cheguem a 380 lojas, atingindo todos os estados do Brasil e mantendo um ritmo de aberturas de 20 unidades por ano. Hoje, a rede já possui mais de 290 lojas e só não tem farmácias em Roraima e no Amapá, devido a dificuldades de distribuição nesses estados.

Atualmente, 75% do faturamento da rede depende da Região Nordeste, mas o foco agora deve ser mais no Sul e no Sudeste, onde querem dobrar sua representatividade até 2012, principalmente no interior de São Paulo e de Minas Gerais. "Nos países onde a renda per capita é maior, o gasto com remédios também é maior, e o Brasil está crescendo; outras mudanças, como o envelhecimento da população e a diminuição da sonegação mostram que vale a pena investir no mercado farmacêutico."

Vendo o potencial desse mercado no futuro, a empresa está se preparando para o IPO, e para tanto contratou a Ernst&Young para adotar medidas de governança corporativa. A perspectiva é de que tenha até 35% do seu capital em ações na Bolsa de Valores e um lucro líquido mínimo de 3%. Quanto à opção de se associar a fundos, como fez esta semana a Droga Raia, desistindo do IPO, Queirós disse que chegou a pensar nisso e não descarta a opção, mas o interessante é ter um investidor que venha de fato a ajudá-lo, não só com capital.

O executivo tem experiência no mercado financeiro, afinal, uma das empresas de seu grupo é a Pax Corretora de Valores, administrada hoje por um de seus quatro filhos. O grupo ainda detém a Rádio Mix e a E-farma, que aproveita o mercado de venda de medicamentos para grandes empresas, como Carrefour, que costumam financiar os medicamentos de seus funcionários. Filho de comerciantes, o empresário cearense começou com 15% da Pax, corretora da bolsa regional do Nordeste, e só em 1981 abriu a primeira Pague Menos.

Para garantir seu plano de expansão, está investindo em um centro de distribuição de 30 mil metros quadrados na cidade de Fortaleza, com em um terreno de 110 mil metros quadrados, quase quatro vezes o anterior, que começou a funcionar no final de setembro. O centro poderá atender até 1 mil lojas e deve receber mais R$ 10 milhões em investimentos até 2009. A escolha do local se deveu a custos de distribuição menores. "Pensamos em construir o CD em São Paulo, até porque vamos expandir mais por aqui agora, mas chegamos à conclusão de que custa menos levar mercadorias do Nordeste ao Sul do que o contrário: gastaríamos 30% a mais", explica.
 
Fonte: DCI

 

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