Eletrobrás ignora crise e terá papel em Nova York no dia 31
 
3/10/2008
 
RIO DE JANEIRO - O presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz, confirmou que a empresa irá iniciar no próximo dia 31 as negociações de ações na Bolsa de Valores de Nova York apesar da crise financeira. "É preferível ter ações na bolsa americana agora, do que não ter", disse.

Os ADRs (american depositary receipt) foram recentemente aceitos na Bolsa de Nova York.

Para Muniz, atualmente, os papéis da companhia estão limitados a pequenos investidores, por serem negociados somente em mercado de balcão.

"Conseguimos agora, no meio da crise. Achei que foi uma vitória espetacular a SEC [órgão regulador americano] nos aceitar nesse momento em que o mercado todo está sob avaliação", disse. Ele acredita que "a vida" voltará à normalidade, após a turbulência da crise.

Para o presidente da Eletrobrás, ter ações negociadas em Nova York é importante também por ser mais um passo em direção ao objetivo de se tornar uma Petrobras do setor elétrico, como determinou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Nós estamos na Bolsa de Madri, e a Petrobras está na Bolsa de Madri. Estamos No Ibovespa e a Petrobras está no Ibovespa. A Petrobras está na Bolsa de Nova York e nós não estávamos. Agora vamos estar", disse Muniz.

O presidente afirmou que a crise internacional não afetará os projetos já em andamento, porque o fluxo de caixa já está garantido. Para projetos futuros, como a usina de Belo Monte, ele espera que a crise já tenha sido resolvida até o momento da necessidade de financiamento.

Belo Monte

A Eletrobrás deverá entregar estudo de impacto ambiental, o eia/rima, da usina de Belo Monte, no Pará, até o final deste mês. A expectativa de Muniz é de que as subsidiárias estatais não concorrerão entre si no leilão da usina que deverá ser realizado em 2009. "Para que ocorra competição, se isso for requerido, nós vamos analisar junto com o acionista majoritário, que é o governo. Mas, em princípio, não haverá competição", disse Muniz ressaltando que a decisão final será do governo. O custo de construção da usina de Belo Monte orçado em 2002, na entrega do estudo de viabilidade, estava estimado em R$ 8 bilhões. "Mas estimo que hoje esteja em torno de R$ 10 bilhões", disse Muniz.

Ele disse que o novo projeto de Belo Monte prevê um reservatório da ordem de 440 quilômetros quadrados, sendo que metade disto é o próprio leito do rio. Já no projeto anterior, era previsto reservatório de 1,2 mil quilômetros quadrados.

A casa de força principal terá 20 turbinas de 550 megawatts, que dará os 11 mil megawatts de capacidade da usina. A casa de força auxiliar dependerá da vazão permanente na volta grande a ser definida pelo Ibama.

A Eletrobrás já terminou também o estudo do inventário do Rio Tapajós, cuja capacidade estimada pelo mercado é de cerca de 30 mil megawatts. O estudo com o número de usinas deverá ser entregue ao Ministério de Minas e Energia nos próximos dias. "Estou doido para entregar. Eu espero apresentar nos próximos dias. Estou aguardando a agenda com o ministro [Edison Lobão]", disse.

Tarifas mais caras

Durante o mesmo evento em que o presidente da Eletrobrás participou ontem, o Enase 2008 (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico), o presidente da MPX, Eduardo Karrer, afirmou que acredita que o país está caminhando para aumento de tarifas, devido ao resultado do último leilão de energia nova de médio prazo, o chamado A-5. Ele acha também que há distorções nos preços dos leilões, porque não refletem a questão locacional, já que a maioria das usinas térmicas vencedoras fica no Nordeste, enquanto a maior demanda por carga é no Sudeste do País.

"Hoje, o Brasil cresce sem fazer a conta da expansão do sistema e sem incentivar as formas mais competitivas. Estamos caminhando definitivamente para um custo marginal de operação do sistema", disse Karrer.
 
Fonte: DCI

 

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